sábado, 26 de março de 2016

Texto 2

O suicídio do jornalismo (MORETZSOHN, Sylvia)


Por ainda possuir um futuro incerto, o jornalismo atual precisa se reinventar, mas no que tange aos vícios contemporâneos que adquiriu com a possibilidade de utilização da internet e, mais recentemente, das redes sociais. 

Os formatos fortalecidos com a inclusão digital e a utilização frequente de fait divers submeteram a prática jornalística ao escrutínio do público. Não que o público não seja importante em todo o processo produtivo ou que antes já não houvesse crítica suficiente por parte dos consumidores de notícia, mas os jornais passaram a informar o que é "pedido", deixando de lado o que é "preciso". 

Pensar no que "é pedido" conforme os modelos atuais é imaginar e, talvez, destituir a maioria dos critérios de noticiabilidade relatados pelos teóricos do campo jornalístico ao passar do tempo. A relevância e a importância deram lugar, de forma mais preponderante, ao curioso, como técnica para alavancar a adesão às redes sociais e aos portais.

O próprio jornalismo cearense tem exemplos claros desse tipo de leitura, quer seja no convívio diário das redações em busca de "audiência", quer seja no acompanhamento das redes sociais dos grandes portais. Essa procura desenfreada acaba empobrecendo a produção jornalística, e o pior, em um momento no qual a crise bate à porta da mídia tradicional. 

De acordo com o artigo da professora Sylvia Moretzsohn, com a crise no mundo do jornalismo, surgiram pelo menos duas formas de lidar com a queda de adesão do público: a informação personalizada e o jornalismo cidadão. 


Printscreen de postagem do Facebook do jornal Diário do Nordeste

Printscreen de postagem do Facebook do jornal O Povo

A informação personalizada pode ser caracterizada por portais de cunho específico a um certo público e problematizada, segundo a articulista, pela inclusão de notícias no Facebook, cuja atuação depende de um algoritmo que diz o que é ou não notícia. Já o jornalismo cidadão procura ter como base a democracia e o acesso à informação para produzir materiais mais analítico e que possam representar uma saída para o problema do jornalismo "raso". Um dos professores com quem tive o prazer de estudar vai além; ele afirma que o jornalismo opinativo é a grande saída para a crise editorial.

Um outro problema da chamada reinvenção dos jornalistas e das empresas é a falta de base dada aos profissionais, que, segundo pesquisa realizada pelo professor Fábio Pereira (UNB) e reiterada pelo artigo da professora Sylvia Moretzsohn, faz com que ocorra a tal "crise dos 33 anos", na qual a maioria dos trabalhadores abandona a profissão nas redações por descontentamento (ou razões diversas) a fim de procurar algo mais sólido, muitas vezes recorrendo ao magistério. 

Apesar de curto, o artigo da professora Sylvia resume em muitos pontos o que já pude observar na disciplina de teorias do jornalismo, com base em obras de sua autoria, e no estágio que estou desempenhando em uma redação de um jornal da cidade. Creio que a proposta é repetir como um mantra os preceitos adquiridos na universidade, realizá-los no mercado de trabalho e torcer para que, no futuro, o jornalismo já tenha encontrado o suficiente para se manter como um dos pilares da democracia.


Cadu Freitas

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