segunda-feira, 18 de abril de 2016

Texto 3

Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação (PRIMO, Alex)


Pensar em uma "cultura da convergência", como a postulada por Richard Jenkins (2009), e analisada por Alex Primo (2010) neste texto requer uma análise, no mínimo, pragmática do cotidiano sociocultural de uma sociedade pós-moderna, conforme indicações de David Harvey (1996) acerca da perda da noção espaço-temporal na pós-modernidade. 

A perda da noção espacial, evocada pela atuação e evolução dos meios comunicacionais, desde o telefone até a web, por consequência, causou uma perda também da temporalidade. É importante ressaltar que essa ausência espacial foi evoluindo, assim como os meios, e através deles se legitimando. 

No entanto, mesmo com esse fortalecimento dos discursos da não-presença, os canais mais tradicionais no jornalismo, como a revista e o jornal impressos, não deixaram de existir, indo de encontro ao que preconizavam os desenvolvedores do rádio. Posteriormente, a televisão viria a dizer o mesmo do rádio e dos veículos impressos. Hoje, a web já é considerada uma das mais importantes instâncias de comunicação e já dizem que ela irá acabar com a TV, com o rádio e com os meios impressos. 

Uma das provas de que a convergência, apesar de existir ainda não é capaz de formatar a sociedade brasileira através de si foi a votação pela admissibilidade do prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo (17). A transmissão em tempo real era feita pelas televisões, enquanto restava aos meios digitais reproduzí-la ou esperá-la para atualizar-se, coisa que hoje em dia pode soar inimaginável, já que a web é a representação da rapidez.

Segundo Primo (2010), pensa-se atualmente em uma convergência de meios, proporcionando, por exemplo, leituras da TV na web, levando à televisão símbolos do webjornalismo, e transpondo o radio para a televisão. A proposta quase majoritária atualmente é a defesa de uma leitura de complementação (transmedia) que faça com as plataformas sejam independentes entre si, mas estejam vinculadas pela narrativa construída, oposta à noção de transposição (crossmedia) que permite uma leitura igual em qualquer meio.





A possibilidade da convergência proporcionou ainda mais o desenvolvimento de materiais transmidiáticos produzidos pela atuação dos fãs na realidade. De acordo com Primo (2010), ainda há uma discussão acerca do papel dessas pessoas: elas estariam sendo cooptadas ou resistindo ao material intacto e imposto a elas? 

Possibilidades reais dessa temática são as criações de fan fictions; fanzines, releituras de filmes e seriados através de redes sociais, como o youtube; e até a propagação de memes nas redes sociais. 

Cadu Freitas

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