Cultura Livre (LESSIG, Lawrence)
A obra do autor estadunidense Lawrence Lessig trata das diversas formas de pirataria com que a sociedade lida e/ou já lidou durante as últimas décadas. É interessante pensar que a obra foi escrita em 2004 e, por isso, já apresenta algumas inconsistências temporais permitidas pela atualidade e o desenvolvimento tecnológico da rede mundial de computadores.
Inicialmente, Lessig nos apresenta, em análise histórica, a relação do som com o cinema a partir da instalação dessa tecnologia nas películas em o Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1928) e nas animações do produtor cinematográfico Walt Disney.
A partir daí, ele então passa a citar de forma mais explícita a utilização do "remix" para produção de obras específicas. Na sociedade atual, após a criação e recriação de diversos produtos da indústria cultural, por exemplo, fugir dos remixes, mesmo que indiretamente, é quase impossível. O vídeo elaborado pelo documentarista Kirby Ferguson, "Everything is a remix" é uma prova consistente de que praticamente tudo o que é visto na indústria atual foi baseado em algo anteriormente pensado.
Hoje em dia, tanto no cinema, como no rádio, no jornalismo e, principalmente, na música é possível captar diversas articulações de fãs que acusam alguns artistas ou os próprios produtos fonográficos de realizarem plágio. Se colocarmos lado a lado alguns instrumentais, como em um trabalho que realizei em grupo no segundo semestre do curso de jornalismo, percebemos que a composição é bastante similar.
Kelly Clarkson - Already Gone
Beyoncé - Halo
Há ainda outros exemplos de domínio público como os instrumentais das músicas Born This Way, de Lady Gaga e Express Yourself, de Madonna. Alguns profissionais do jornalismo, por sua vez, infelizmente, ainda combinam a prática do "ctrl C, ctrl V" em suas respectivas editorias. Em jornais regionais, como o Diário do Nordeste e O Povo, por exemplo, para não haver a cópia, eles contratam agências de notícias que permitem a veiculação de certos materiais, sendo respeitados os devidos créditos e pagos os respectivos valores.
Mas, uma das coisas que me chamou atenção, de fato, foi a temporalidade da pesquisa e como a sociedade, restabelecendo princípios da urbanidade na rede, modifica o tato, mas as formas sociais continuam.
A temporalidade um pouco defasada é importante para avaliarmos a atualidade e tornar histórico o período compreendido. A tecnologia ainda utiliza compartilhamentos P2P, mas em um nível extremamente avançado, tendo hoje como baixar filmes e séries em high definition, às vezes sem nem terem estreado ainda nos cinemas do País, em pouquíssimo tempo.
Avançando nessa área, os artistas passaram a ter outra forma de rentabilidade nas redes, em canais de streaming, como o Spotify. Nele, os usuários patrocinam uma quantia mensal para ouvir músicas "ilimitadas" (interessante aqui pensar no conceito da cauda longa), mas ainda permite que os não aderentes utilizem o serviço, embora com amarras de não poder passar uma quantidade fixa de músicas e ouvir propagandas, etc.
Cadu Freitas

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