quarta-feira, 20 de abril de 2016

Cibersexo

Cadu Freitas*

As comunidades virtuais e o crescimento incisivo da internet como parte da vida social fortaleceram a utilização do anonimato por parte da sociedade. Essa prática, por sua vez, tem a intenção de proporcionar ao usuário uma espécie de privacidade para que seja possível realizar, em alguns casos, desejos profundos e até experimentação sexual através da grande rede.
Um desses desejos normalmente apropriados pelos usuários é o cibersexo (ou sexo virtual). Essa modalidade de relação sexual ainda não possui uma definição consensual entre os teóricos, porém, pode-se pontuar, em linhas gerais, que ele representa a troca de conteúdos entre pessoas a fim de provocar excitação sexual, às vezes, complementada por masturbação. Outro aspecto relevante debatido por diversos autores é a possibilidade de haver sexo virtual sem existir interação, como em decorrência de filmes pornográficos ou imagens similares vistas pela internet.
Além de ser apontado como fator desinibidor por causa do anonimato, o cibersexo ocorre em decorrência da possível partilha de fantasias sexuais – muitas vezes reprimidas social e moralmente – e pela procura de pessoas com os mesmos interesses, que buscam online o que não as satisfaz offline.
Estudos na área da psicologia apontam os fatores positivos e negativos da utilização do cibersexo na vida social. A prática pode favorecer pessoas com dificuldades de relacionamento interpessoal, sendo recomendado, em alguns casos, que o galanteio seja treinado. Também não há a possibilidade de haver riscos de contrair qualquer doença sexualmente transmissível ou ter uma gravidez indesejada.
Em contrapartida, psicólogos sugerem que possa haver risco em relação ao vício, principalmente quando o sexo virtual passa a se tornar uma dependência, levando o usuário a agir de forma compulsiva e eliminando atividades da sua rotina cotidiana em detrimento do cibersexo.
A prática sexual pela internet foi possível através de sites IRC (Internet Relay Chat), que se configuram como um protocolo de comunicação que é utilizado para bate-papos ou troca de arquivos. Atualmente, existem diversos sites especializados em sexo ou redes de bate-papo que possibilitam a relação para heterossexuais, homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais, como o BatePapo UOL, MSN Sexo Virtual, Facebook of sex, FazendoSexo69, XloveCam, entre outros.
Após a popularização da utilização da internet pelos aparelhos móveis, alguns aplicativos e redes sociais já possibilitam o cibersexo. Apps como Whatsapp e Facebook Messenger permitem a troca de conteúdos de forma privativa, mas não anônima. Já outros voltados para a comunidade LGBTT, como Grindr, Wapa, Dattch e Scruff são praticamente utilizados para sexo virtual entre os usuários. 

Referências:
CIBERSEXO: o amor está em linha. Eucontrolo.pt. Disponível em: <http://www. eucontrolo.pt/sexualidade/cibersexo-o-amor-esta-em-linha>. Acesso em: 18 abr. 2016
SILVA, Bruno Mendes da. Cibersexo. In.: CONGRESSO SOPCOM, 6., 2009, Lisboa. Anexo... Lisboa: SOPCOM, 2009. Disponível em: <http://conferencias.ulusofona.pt/ index.php/lusocom/8lusocom09/paper/viewFile/470/472>. Acesso em: 18 abr. 2016.
MENDES, Nuno Miguel Simões. O Impacto do cibersexo na qualidade de vida e na saúde mental. 2011. 81 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia, Aconselhamento e Psicoterapia) – Faculdade de Psicologia. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2011.


* Cadu Freitas é universitário, cinéfilo assumido e colecionador de bons momentos, com preferência por viagens além-céu. Como típico sagitariano, conhecer o mundo é o que prefere, desde aquele que está dentro das pessoas ao que pode possibilitar um contato maior com a cultura alheia nos locais que ainda o aguardam.

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