Cadu Freitas*
As
comunidades virtuais e o crescimento incisivo da internet como parte da vida
social fortaleceram a utilização do anonimato por parte da sociedade. Essa
prática, por sua vez, tem a intenção de proporcionar ao usuário uma espécie de privacidade
para que seja possível realizar, em alguns casos, desejos profundos e até experimentação
sexual através da grande rede.
Um
desses desejos normalmente apropriados pelos usuários é o cibersexo (ou sexo virtual). Essa modalidade de relação sexual
ainda não possui uma definição consensual entre os teóricos, porém, pode-se pontuar,
em linhas gerais, que ele representa a troca de conteúdos entre pessoas a fim
de provocar excitação sexual, às vezes, complementada por masturbação. Outro aspecto
relevante debatido por diversos autores é a possibilidade de haver sexo virtual
sem existir interação, como em decorrência de filmes pornográficos ou imagens
similares vistas pela internet.
Além
de ser apontado como fator desinibidor por causa do anonimato, o cibersexo
ocorre em decorrência da possível partilha de fantasias sexuais – muitas vezes
reprimidas social e moralmente – e pela procura de pessoas com os mesmos
interesses, que buscam online o que
não as satisfaz offline.
Estudos
na área da psicologia apontam os fatores positivos e negativos da utilização do
cibersexo na vida social. A prática pode favorecer pessoas com dificuldades de
relacionamento interpessoal, sendo recomendado, em alguns casos, que o galanteio
seja treinado. Também não há a possibilidade de haver riscos de contrair qualquer
doença sexualmente transmissível ou ter uma gravidez indesejada.
Em
contrapartida, psicólogos sugerem que possa haver risco em relação ao vício,
principalmente quando o sexo virtual passa a se tornar uma dependência, levando
o usuário a agir de forma compulsiva e eliminando atividades da sua rotina
cotidiana em detrimento do cibersexo.
A
prática sexual pela internet foi possível através de sites IRC (Internet Relay
Chat), que se configuram como um protocolo de comunicação que é utilizado para bate-papos
ou troca de arquivos. Atualmente, existem diversos sites especializados em sexo
ou redes de bate-papo que possibilitam a relação para heterossexuais, homossexuais,
bissexuais, travestis e transexuais, como o BatePapo
UOL, MSN Sexo Virtual, Facebook of sex, FazendoSexo69, XloveCam,
entre outros.
Após
a popularização da utilização da internet pelos aparelhos móveis, alguns
aplicativos e redes sociais já possibilitam o cibersexo. Apps como Whatsapp e Facebook Messenger permitem a troca de conteúdos de forma privativa,
mas não anônima. Já outros voltados para a comunidade LGBTT, como Grindr, Wapa, Dattch e Scruff são praticamente utilizados para sexo virtual
entre os usuários.
Referências:
CIBERSEXO: o amor está em linha. Eucontrolo.pt. Disponível em: <http://www.
eucontrolo.pt/sexualidade/cibersexo-o-amor-esta-em-linha>. Acesso em: 18
abr. 2016
SILVA, Bruno Mendes da.
Cibersexo. In.: CONGRESSO SOPCOM, 6.,
2009, Lisboa. Anexo... Lisboa:
SOPCOM, 2009. Disponível em: <http://conferencias.ulusofona.pt/ index.php/lusocom/8lusocom09/paper/viewFile/470/472>.
Acesso em: 18 abr. 2016.
MENDES, Nuno Miguel Simões. O Impacto do cibersexo na qualidade de vida
e na saúde mental. 2011. 81 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia,
Aconselhamento e Psicoterapia) – Faculdade de Psicologia. Universidade Lusófona
de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2011.
* Cadu Freitas é universitário, cinéfilo assumido e colecionador de bons momentos, com preferência por viagens além-céu. Como típico sagitariano, conhecer o mundo é o que prefere, desde aquele que está dentro das pessoas ao que pode possibilitar um contato maior com a cultura alheia nos locais que ainda o aguardam.
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