terça-feira, 26 de abril de 2016

Texto 4

Cultura Livre (LESSIG, Lawrence)

A obra do autor estadunidense Lawrence Lessig trata das diversas formas de pirataria com que a sociedade lida e/ou já lidou durante as últimas décadas. É interessante pensar que a obra foi escrita em 2004 e, por isso, já apresenta algumas inconsistências temporais permitidas pela atualidade e o desenvolvimento tecnológico da rede mundial de computadores. 

Inicialmente, Lessig nos apresenta, em análise histórica, a relação do som com o cinema a partir da instalação dessa tecnologia nas películas em o Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1928) e nas animações do produtor cinematográfico Walt Disney. 

A partir daí, ele então passa a citar de forma mais explícita a utilização do "remix" para produção de obras específicas. Na sociedade atual, após a criação e recriação de diversos produtos da indústria cultural, por exemplo, fugir dos remixes, mesmo que indiretamente, é quase impossível. O vídeo elaborado pelo documentarista Kirby Ferguson, "Everything is a remix" é uma prova consistente de que praticamente tudo o que é visto na indústria atual foi baseado em algo anteriormente pensado. 

Hoje em dia, tanto no cinema, como no rádio, no jornalismo e, principalmente, na música é possível captar diversas articulações de fãs que acusam alguns artistas ou os próprios produtos fonográficos de realizarem plágio. Se colocarmos lado a lado alguns instrumentais, como em um trabalho que realizei em grupo no segundo semestre do curso de jornalismo, percebemos que a composição é bastante similar.

Kelly Clarkson - Already Gone


Beyoncé - Halo

Há ainda outros exemplos de domínio público como os instrumentais das músicas Born This Way, de Lady Gaga e Express Yourself, de Madonna. Alguns profissionais do jornalismo, por sua vez, infelizmente, ainda combinam a prática do "ctrl C, ctrl V" em suas respectivas editorias. Em jornais regionais, como o Diário do Nordeste e O Povo, por exemplo, para não haver a cópia, eles contratam agências de notícias que permitem a veiculação de certos materiais, sendo respeitados os devidos créditos e pagos os respectivos valores.

Mas, uma das coisas que me chamou atenção, de fato, foi a temporalidade da pesquisa e como a sociedade, restabelecendo princípios da urbanidade na rede, modifica o tato, mas as formas sociais continuam. 

A temporalidade um pouco defasada é importante para avaliarmos a atualidade e tornar histórico o período compreendido. A tecnologia ainda utiliza compartilhamentos P2P, mas em um nível extremamente avançado, tendo hoje como baixar filmes e séries em high definition, às vezes sem nem terem estreado ainda nos cinemas do País, em pouquíssimo tempo. 

Avançando nessa área, os artistas passaram a ter outra forma de rentabilidade nas redes, em canais de streaming, como o Spotify. Nele, os usuários patrocinam uma quantia mensal para ouvir músicas "ilimitadas" (interessante aqui pensar no conceito da cauda longa), mas ainda permite que os não aderentes utilizem o serviço, embora com amarras de não poder passar uma quantidade fixa de músicas e ouvir propagandas, etc. 

Cadu Freitas

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Cibersexo

Cadu Freitas*

As comunidades virtuais e o crescimento incisivo da internet como parte da vida social fortaleceram a utilização do anonimato por parte da sociedade. Essa prática, por sua vez, tem a intenção de proporcionar ao usuário uma espécie de privacidade para que seja possível realizar, em alguns casos, desejos profundos e até experimentação sexual através da grande rede.
Um desses desejos normalmente apropriados pelos usuários é o cibersexo (ou sexo virtual). Essa modalidade de relação sexual ainda não possui uma definição consensual entre os teóricos, porém, pode-se pontuar, em linhas gerais, que ele representa a troca de conteúdos entre pessoas a fim de provocar excitação sexual, às vezes, complementada por masturbação. Outro aspecto relevante debatido por diversos autores é a possibilidade de haver sexo virtual sem existir interação, como em decorrência de filmes pornográficos ou imagens similares vistas pela internet.
Além de ser apontado como fator desinibidor por causa do anonimato, o cibersexo ocorre em decorrência da possível partilha de fantasias sexuais – muitas vezes reprimidas social e moralmente – e pela procura de pessoas com os mesmos interesses, que buscam online o que não as satisfaz offline.
Estudos na área da psicologia apontam os fatores positivos e negativos da utilização do cibersexo na vida social. A prática pode favorecer pessoas com dificuldades de relacionamento interpessoal, sendo recomendado, em alguns casos, que o galanteio seja treinado. Também não há a possibilidade de haver riscos de contrair qualquer doença sexualmente transmissível ou ter uma gravidez indesejada.
Em contrapartida, psicólogos sugerem que possa haver risco em relação ao vício, principalmente quando o sexo virtual passa a se tornar uma dependência, levando o usuário a agir de forma compulsiva e eliminando atividades da sua rotina cotidiana em detrimento do cibersexo.
A prática sexual pela internet foi possível através de sites IRC (Internet Relay Chat), que se configuram como um protocolo de comunicação que é utilizado para bate-papos ou troca de arquivos. Atualmente, existem diversos sites especializados em sexo ou redes de bate-papo que possibilitam a relação para heterossexuais, homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais, como o BatePapo UOL, MSN Sexo Virtual, Facebook of sex, FazendoSexo69, XloveCam, entre outros.
Após a popularização da utilização da internet pelos aparelhos móveis, alguns aplicativos e redes sociais já possibilitam o cibersexo. Apps como Whatsapp e Facebook Messenger permitem a troca de conteúdos de forma privativa, mas não anônima. Já outros voltados para a comunidade LGBTT, como Grindr, Wapa, Dattch e Scruff são praticamente utilizados para sexo virtual entre os usuários. 

Referências:
CIBERSEXO: o amor está em linha. Eucontrolo.pt. Disponível em: <http://www. eucontrolo.pt/sexualidade/cibersexo-o-amor-esta-em-linha>. Acesso em: 18 abr. 2016
SILVA, Bruno Mendes da. Cibersexo. In.: CONGRESSO SOPCOM, 6., 2009, Lisboa. Anexo... Lisboa: SOPCOM, 2009. Disponível em: <http://conferencias.ulusofona.pt/ index.php/lusocom/8lusocom09/paper/viewFile/470/472>. Acesso em: 18 abr. 2016.
MENDES, Nuno Miguel Simões. O Impacto do cibersexo na qualidade de vida e na saúde mental. 2011. 81 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia, Aconselhamento e Psicoterapia) – Faculdade de Psicologia. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2011.


* Cadu Freitas é universitário, cinéfilo assumido e colecionador de bons momentos, com preferência por viagens além-céu. Como típico sagitariano, conhecer o mundo é o que prefere, desde aquele que está dentro das pessoas ao que pode possibilitar um contato maior com a cultura alheia nos locais que ainda o aguardam.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Texto 3

Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação (PRIMO, Alex)


Pensar em uma "cultura da convergência", como a postulada por Richard Jenkins (2009), e analisada por Alex Primo (2010) neste texto requer uma análise, no mínimo, pragmática do cotidiano sociocultural de uma sociedade pós-moderna, conforme indicações de David Harvey (1996) acerca da perda da noção espaço-temporal na pós-modernidade. 

A perda da noção espacial, evocada pela atuação e evolução dos meios comunicacionais, desde o telefone até a web, por consequência, causou uma perda também da temporalidade. É importante ressaltar que essa ausência espacial foi evoluindo, assim como os meios, e através deles se legitimando. 

No entanto, mesmo com esse fortalecimento dos discursos da não-presença, os canais mais tradicionais no jornalismo, como a revista e o jornal impressos, não deixaram de existir, indo de encontro ao que preconizavam os desenvolvedores do rádio. Posteriormente, a televisão viria a dizer o mesmo do rádio e dos veículos impressos. Hoje, a web já é considerada uma das mais importantes instâncias de comunicação e já dizem que ela irá acabar com a TV, com o rádio e com os meios impressos. 

Uma das provas de que a convergência, apesar de existir ainda não é capaz de formatar a sociedade brasileira através de si foi a votação pela admissibilidade do prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo (17). A transmissão em tempo real era feita pelas televisões, enquanto restava aos meios digitais reproduzí-la ou esperá-la para atualizar-se, coisa que hoje em dia pode soar inimaginável, já que a web é a representação da rapidez.

Segundo Primo (2010), pensa-se atualmente em uma convergência de meios, proporcionando, por exemplo, leituras da TV na web, levando à televisão símbolos do webjornalismo, e transpondo o radio para a televisão. A proposta quase majoritária atualmente é a defesa de uma leitura de complementação (transmedia) que faça com as plataformas sejam independentes entre si, mas estejam vinculadas pela narrativa construída, oposta à noção de transposição (crossmedia) que permite uma leitura igual em qualquer meio.





A possibilidade da convergência proporcionou ainda mais o desenvolvimento de materiais transmidiáticos produzidos pela atuação dos fãs na realidade. De acordo com Primo (2010), ainda há uma discussão acerca do papel dessas pessoas: elas estariam sendo cooptadas ou resistindo ao material intacto e imposto a elas? 

Possibilidades reais dessa temática são as criações de fan fictions; fanzines, releituras de filmes e seriados através de redes sociais, como o youtube; e até a propagação de memes nas redes sociais. 

Cadu Freitas