Culto ao amador (KEEN, Andrew)
O texto de Andrew Keen tem uma característica em especial: é ácido. Desde o início ele tece críticas aos principais autores que já lemos na disciplina de Cibercultura e à "revolução" na web 2.0. Para ele, essa revolução não tem, diferente dos autores anteriores, nada de positiva.
Keen queria música "jorrando por todos os orifícios", porém ela deveria ser de "qualidade". A revolução da Web 2.0 inovou a forma de produção de conteúdo e, por consequência, atingiu à Indústria Cultural, transformando os antigos "fãs" em também produtores de conteúdo.
O autor participou de uma conferência organizada no Vale do Silício, a chamada Foo Camp, em que os integrantes precisavam estar lá para participar, não apenas observar. No acampamento, a palavra da revolução era "democratização". Segundo ele, a proposta era que a internet democratizasse tudo: a mídia, as empresas, o governo e até os especialistas.
Na web 2.0, autor e usuário são uma coisa só. A democratização, chamada de "a grande sedução" é que possibilitaria essa relação íntima e coexistente. Keen afirma que democratizar é o mesmo que solapar a verdade, azedar o discurso cívico e depreciar a expertise, a experiência e o talento. Com a democratização, a cultura se tornaria pobre e os especialistas não teriam mais a qualidade técnica que tinham os "guardiões da cultura", um termo extremamente elitista e bem retrógrado. Basta pensar nas manifestações artísticas que ganham fôlego com a urbanidade, nem todos os grafiteiros e interventores possuem uma formação acadêmica em artes, inclusive nem dela precisam, têm talento suficiente para defender sua arte e seu ponto de vista.
Esses novos "especialistas", segundo ele, fazem observações superficiais e não possuem credibilidade suficiente perante a sociedade.
Keen critica o youtube, os blogs - para ele, são os "inimigos da verdade" - e até o buscador do google. Ao citá-lo ele o compara ao Grande Irmão do livro 1984 de George Orwell, só que dessa vez sendo bem "real". O próprio conceito de "real" impresso por Keen se acentua de forma rasa. A sociedade atual, com a fortificação da internet e dos meios virtuais, não pode mais afirmar o que é real e o que é virtual. Na verdade, são realidades estendidas que podem ser interpretadas de diversas formas por diversos atores sociais.
Há ainda crítica à publicidade nas redes, o que, para ele, poderia ser considerado um "terrorismo de marcas na internet", além da frequente discussão entre autoria e remix, já debatida através da obra de Lawrence Lessig neste blog e ambientada em Keen na ideia de que "copiar e colar é brincadeira de criança de cleptomaníacos intelectuais".
Apontando para a Cauda Longa, o acidez do autor a classifica como remodeladora da economia, a qual, por utilizar a cultura da gratuidade, transforma um mercado promissor em infinito, o que provoca demissão de profissionais especializados e de mídias tradicionais. Para ele, a cauda longa confere dinheiro aos blogueiros, mas em uma quantidade ínfima, que não é capaz de fazê-los ricos ou detentores de uma grande rede que terá credibilidade.
Cadu Freitas
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