segunda-feira, 16 de maio de 2016

Texto 7

Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano (SANTAELLA, Lúcia)

Certa vez participei de uma palestra com a própria Lúcia Santaella no jornal O Povo, em Fortaleza. A temática da discussão tinha grande relação com a ensejada pelo texto aqui resenhado: o pós-humano e a cultura digital, porém relacionado à leitura e aos livros. 

Apesar de curto, o texto é denso o suficiente para fazer com que o leitor pense minuciosamente nos conceitos apresentados e leve em consideração as convergências midiáticas da atualidade. 

Creio que seja preponderante, inicialmente, pontuar que a autora apresenta seis tipos de formações culturais existentes na sociedade: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura das massas, a cultura das mídias e a cultura digital. A ideia é pensar de forma crescente em inovação, de acordo com o advento dessas formações, mas não esquecer que elas coexistem, de forma a tornar a relação entre sociedade e as atuais tecnologias mais complexificada. 

Assim, os diferentes processos comunicativos se alinham ao acumularem-se, entretanto, não são capazes de barrar a substituição dos elementos, como a mudança dos telefones fixos para os aparelhos celulares, ou dos computadores em gabinete para os notebooks. 

Santaella afirma no texto que, apesar de McLuhan (1964) evocar que o meio é a mensagem (em alusão ao texto em que considera os meios de comunicação como quentes ou frios), não se deve ter a leitura de que o veículo/meio/mídia tem preponderância exclusiva no processo comunicativo. De acordo com a autora, o meio é importante a sua maneira, no entanto, a linguagem é imprescindível, até porque ela é quem utiliza as mídias para informar. 

A pesquisadora também aponta que, em decorrência dessa coexistência de mídias, existem mensagens híbridas, que ocorrem em decorrência da capacidade da cultura digital em provocar a convergência entre elas. Porém, com a frequente mudança de equipamentos tecnológicos, é possível observar que há uma ideia do transitório/efêmero. Essa cultura se baseia na ideia de que as pessoas buscam, através das inovações tecnológicas, cada vez mais algo individual, o que provoca segmentação.

Porém, é no último momento do texto que Santaella consegue fazer uma leitura mais radical e, ao mesmo tempo, interessante acerca da cibercultura. A autora assinala que a cultura digital é uma criatura humana, assim como todas as outras culturas. Por isso, elas carregam intrínsecas nossas contradições e paradoxos de seres humanos, daí surge a ideia de pós-humano. O conceito é defendido por ela como uma expressão que tem seio na década de 1990, mas não apocalíptica, como a sinonímia sugere.  

Cadu Freitas

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